O vinho é uma forma de provar os lugares da terra. Nesta deslumbrante paisagem de encostas talhadas em socalcos, entre as altas paredes de granito que moldam as águas, o rio espreguiça-se nas suas margens. A longa tradição de viticultura da região produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional, modelada no seu perfil inconfundível de milhares de quilómetros de vinha. Resultante de uma obra conjunta do Homem e da Natureza, o cultivo da vinha dá-se em condições adversas, num solo instável queimado pelo sol, atravessando os Invernos frios e os Verões quentes.

O Douro de rituais vinhateiros e desejos imaginários é um reino de declives, ardósias, granitos e vinhas. Designado pela UNESCO em 2001 Património da Humanidade, o Alto Douro Vinhateiro é a região vinícola demarcada mais antiga do mundo, um lugar mágico ao qual apetece fazer perguntas.

A resposta são os vinhos de verdadeira distinção e individualidade que provêm das uvas cultivadas e expressam o espírito do lugar, num trabalho conjunto com o homem. Na cultura da vinha, a natureza impregna o vinho com as suas características. Nas quintas do Douro, idilicamente românticas e escondidas entre as montanhas esculpidas pelo tempo, os vinhos produzidos são o reflexo de saberes, técnicas, costumes e rituais interiorizados pelo imaginário colectivo, transformados por quem tem a ambição de produzir vinhos diferentes. 

   

AS VINHAS

Foi em meados do século XIX que a família Vasques de Carvalho se instalou no Douro, mais concretamente no Vale do Rodo. As uvas provenientes das vinhas da família, plantadas em socalcos tradicionais, eram antigamente vendidas às grandes casas de vinho do Porto.
Para além do que era vendido às grandes firmas, a família sempre guardou uma parte para fazer lotes mais pequenos de vinho do Porto, que iam sendo produzidos e armazenados nas caves por baixo de casa.

Foi a partir daqui que nasceram as vinhas e adegas desta empresa: da tradição familiar de manter uma vinha e de transformar uma parte das suas uvas de forma cuidadosa e exemplar. Este foi o primeiro passo. O segundo foi dado mais tarde por António Vasques de Carvalho, ao reconhecer a qualidade deste legado e a vontade de o homenagear e fazer crescer. A sua associação com a Kurtpace S.A. permitiu dar este salto e colocar os vinhos do Porto e Douro Vasques de Carvalho num patamar de excelência.
Aos actuais hectares de vinhas, onde se encontra uma variedade enorme de castas, juntam-se as uvas compradas a produtores da região. Estas uvas, juntamente com os stocks de vinho do Porto armazenados e adquiridos, são a base actual da produção da Vasques de Carvalho.

A adega e cave de barricas, sobre a qual a família sempre viveu, foi reconstruída para melhor responder ao crescimento da empresa. Hoje tem capacidade para engarrafar 100.000 garrafas, e uma parte do armazém foi ainda reconvertida para receber visitas e provas.
A necessidade de uma maior capacidade de armazenamento levou também à aquisição de um antigo armazém no Pinhão, onde existe uma capacidade em madeira para 750.000 litros de vinho em balseiros e toneis cuidadosamente restaurados. A modernização deste armazém pretende transformá-lo também em mais um ponto de interesse para o enoturismo da região.

Assim, na reviravolta dos tempos, assiste-se hoje ao enaltecer de uma herança familiar, através de um espírito empreendedor e da vontade profunda de destacar estes vinhos excepcionais, que são o reflexo da essência e da história do Douro.